A
Universidade Federal de Alagoas foi criada em 25 de janeiro de 1961, por ato
presidencial de Juscelino Kubitschek, através da Lei Federal nº 3.867/61. Aos
poucos foi incorporando as faculdades isoladas criadas por iniciativa da
sociedade alagoana entre as décadas de 1930 e 1950, a exemplo da Faculdade de
Direito, a Faculdade de Filosofia (antiga Sociedade Guido de Fontgalland, com
os cursos de História, Geografia, Letras Clássicas, Letras Neolatinas e
Anglo-Germânicas), a Escola de Engenharia, a Faculdade de Odontologia, a
Faculdade de Medicina e a Faculdade de Ciências Econômicas.
A
Faculdade de Economia foi a primeira criada pela UFAL, no Campus Universitário
A. C. Simões, ainda em construção, cujo projeto previa também a construção do
Instituto de Geociências, do Instituto de Física, do Instituto de Química, do
Hospital Universitário, Instituto de Pesquisas Tecnológicas e da Imprensa
Universitária.
Em
1974, treze anos após a fundação da UFAL, o Curso de Educação Física – CEF, foi
criado, junto com outros 23 cursos, e em 1979 foi reconhecido pelo MEC
(Portaria nº 858/79 de 31 de agosto de 1979). No ano de sua criação, o CEF foi
vinculado ao Departamento de Medicina Especializada, um dos cinco departamentos
existentes no Centro de Ciências da Saúde.
O
vínculo da Educação Física com a medicina no Brasil vem antes mesmo de seu
reconhecimento como formação acadêmica. Vários autores que estudaram a história
da Educação Física na sociedade brasileira comentaram sobre os ranços e avanços
desta relação. Na UFAL, em 1971, o Departamento de Educação Física foi
idealizado pelo então reitor Nabuco Lopes como parte integrante do Departamento
de Assuntos Estudantis e Acadêmicos, para o desenvolvimento da Prática
Desportiva na UFAL. Em 1973, vincula-se ao Departamento de Medicina
Especializada, no Centro de Ciências da Saúde (CSAU), oferecendo,
primeiramente, a disciplina Prática Desportiva, que era obrigatória para todos
os cursos da UFAL.
Faz-se
necessário registrar aqui iniciativas isoladas no DEF com o primeiro Núcleo de
Estudos de Recreação e Lazer, criado pela Profª Márcia Chaves Valente, em 1987.
Este grupo, composto pela referida professora, alunos e egressos do Curso de
Educação Física da UFAL, elaborou um estudo sobre o perfil do profissional de
Educação Física atuante na área de recreação e lazer em Alagoas, que foi
apresentado em importante evento nacional da área. Embora não haja registros da
criação deste Núcleo no DEF, este estudo aparece como o único projeto de
pesquisa na PROPLAN, em 1989. Através das entrevistas com os professores foi
possível coletar mais informações sobre ele.
A Educação Física no CSAU
Foi
exatamente na década de 1970 e neste contexto, que nasceu o Curso de Educação
Física da UFAL – CEF, sendo integrado ao CSAU. O curso foi implantado em março
de 1974 e reconhecido em 04.09.1979, através da Portaria nº 858 do CFE.
Uma
visão tecnicista dominava nesta época não só este Centro como toda a UFAL,
reflexo das reformas educacionais produzidas a partir de 1968 no País. Como já
afirmamos anteriormente, no período compreendido entre 1974 e 1984, o DEF teve
bastante destaque e utilidade para os anseios e necessidades da instituição,
considerando seus projetos e ações extensionistas ( promovia jogos
universitários, festivais de dança, colônia de férias, etc. Mantinha um grupo
de dança para participação em eventos, e atendia a mais de mil crianças nesses
programas de extensão).
Nos
relatórios elaborados pelo ex-reitor João Azevedo (1982), pôde-se perceber que,
a partir da criação do NEFD em 1974, até 1981, quando ele conclui sua pesquisa,
além das atividades de ensino no curso de Educação Física e na oferta da
disciplina Prática Desportiva para todos os demais cursos da UFAL, a
participação do DEF, consistia em participar de solenidades comemorativas da
Universidade e oferecer atividades de extensão à comunidade do próprio Campus e
a de municípios alagoanos. Além da oferta desses projetos de extensão, onde os
alunos exercitavam seus conhecimentos técnico-pedagógicos, os alunos também
participavam dos Projetos RONDON e CRUTAC (Centro Rural Universitário de
Treinamento e Ação comunitária – Programa desenvolvido pelo governo federal para
treinamento de universitários e melhoria da qualidade de vida da população
rural brasileira) até 1980.
As
primeiras contratações para o quadro de docentes se deram por meio de bolsas
para professor-colaborador, um tipo de vínculo provisório até que o DEF fosse
criado e pudesse realizar concurso interno para a efetivação dos docentes.
Neste primeiro momento, os professores contratados foram vinculados ao
Departamento de Assuntos Estudantis e Acadêmicos e depois, ao Departamento de
Medicina Especializada.
Educação Física no Brasil inferiu que
“ A década de 1970 foi marcada,
mais que as anteriores, pela busca de diferenciação entre o leigo e o
profissional e pela intervenção da instituição estatal nos rumos da política
nacional de Educação Física e Desportos, principalmente no debate da formação
profissional.” (p. 88).
Daí
decorre, possivelmente, uma forte razão para que fosse criado o Curso de
Educação Física na UFAL, atendendo à intenção estratégica do Governo Federal de
difusão da Educação Física no País, buscando resolver, de uma vez, as questões
referentes à pouca qualidade da atuação dos leigos nas escolas como instrutores
e ao fomento do esporte nacional.
Nos
documentos consultados durante a coleta de dados não foi possível identificar,
em nível local, outros interesses maiores que os do próprio governo federal
para resolver o problema da ampliação da demanda no ensino de 1º grau. Mas os
depoimentos dos antigos professores trazem outras informações sobre a questão.
Segundo eles, a criação do CEF na UFAL não aconteceu pelo reconhecimento deste
profissional pela área de saúde da instituição, mas por duas outras razões. Em
primeiro lugar, antes mesmo da criação do primeiro curso de Educação Física em
nível superior no Brasil, já existia uma pressão social para a legitimação
desse profissional. Em segundo lugar, a criação do Curso de Educação Física na
UFAL deve muito a um grande idealizador, que reuniu este primeiro grupo de
professores em torno desse ideal. Trata-se do então Reitor Dr. Nabuco Lopes
que, tendo formação militar, sonhava com a oferta de um curso de Educação
Física semelhante ao da ESEFEX.
Portanto,
foi nesse contexto de mobilização nacional em prol do desenvolvimento do desporto de alto nível e,
ao mesmo tempo, num momento de enraizamento e legitimação da UFAL na sociedade
alagoana, buscando responder a ela com seu trabalho efetivo, que nasceu o Curso
de Educação Física da UFAL.
O DEF hoje (Ano de 2006)
O
DEF funciona num conjunto de edificações que compreende um setor
administrativo, três salas, um ginásio poliesportivo que contém vestiários e
sala de musculação, uma piscina fora dos padrões oficiais, com vestiários, três
quadras externas, sendo duas descobertas, uma quadra de vôlei de areia, um
campo de futebol, uma pista de cross-country, um setor de atletismo com pista,
caixa de saltos e área de arremessos, tudo em situação precária de conservação.
Além dessas instalações, são utilizadas salas de outros blocos da UFAL para
aulas teóricas ou aulas práticas específicas como as de anatomia, fisiologia e
danças folclóricas, que são ministradas em seus respectivos departamentos, fora
do Campus Universitário.
O Espaço do Curso de
Educação Física
Ao
se entrar no Campus Universitário da UFAL, no Tabuleiro dos Martins, logo se
depara à esquerda com o conjunto de edificações do DEF. O fato de estar
localizado em frete ao novo prédio da reitoria, o faz parecer ainda mais pobre
e depredado. Mantendo as mesmas instalações há mais de 20 anos, pode-se ver,
primeiramente, um humilde ginásio com uma quadra polivalente, dois banheiros e
uma sala de materiais. Ao seu lado, a piscina, outrora chamada erroneamente de
parque desportivo, não possui as dimensões oficiais, projetada nos anos 60 e
construída com os parcos recursos amealhados pela UFAL junto ao Governo Federal
durante a construção do Campus Universitário. Possui a mesma simplicidade que
se refletiu na criação de todo esse espaço.
Referência
Bibliográfica
MONTENEGRO, P.C.A. Os
sentidos de formação profissional no imaginário dos docentes do curso de
graduação em Educação Física da Universidade Federal de Alagoas. (Tese de
doutoramento). Rio de Janeiro: PPGEF/UGF, 2006.
OBS: Essas informações foram retiradas da tese de doutorado da professora Patricia Ayres Montenegro.
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